quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

IMAGEM E COMUNICAÇÃO ESTRATÉGICA PARA O TURISMO

                                                                                               Natale Solís de O. Nascimento*
                                                                                       natytur88@gmail.com



RESUMO

As instituições que trabalham com o turismo possuem como público focal turistas e residentes para controlar os problemas da sazonalidade. Para tanto, a gestão estratégica de marketing é elemento fundamental para a consolidação desse processo, essa dinâmica envolve imagens e comunicação que buscam persuadir o futuro visitante. Este artigo de cunho analítico e bibliográfico aborda as técnicas de marketing utilizadas por destinos e instituições que trabalham com o turismo cultural, e nesse sentido, a  publicidade aposta na comunicação persuasiva que envolve imagens e descrições dos locais ou de fatos históricos alí ocorridos, a fim de atingir o imaginário do indivíduo.


Palavras-Chave: Turismo. Marketing. Técnicas. Comunicação.





  

*Graduada em Turismo e Hotelaria pela Universidade do Estado da Bahia, estudante de especialização em comunicação e marketing em mídias sociais.






             1 INTRODUÇÃO


Desde a origem da humanidade, o deslocamento de pessoas sempre existiu, seja por nômades, desbravadores, peregrinos, caixeiros viajantes, pintores e outros artistas. Há relatos de viagens por diferentes motivos, de modo que a expressão turismo surgiu a partir do momento em que criaram serviços e infra-estrutura para atender ao viajante. Isto leva a uma compreensão de que uma simples viagem não pode ser considerada turismo, mas o turismo implica em uma viagem.
Em alguns países, como o Brasil, apenas os recursos naturais são exaltados pela propaganda, fazendo com que as cidades dotadas de belezas naturais e clima favorável para o turismo de sol, se esforcem demasiadamente para propor o turismo cultural. Assim, espaços culturais como museus, devem traçar estratégias para disputar com os demais serviços de turismo e lazer.
Imagens e comunicação são elementos imprescindíveis quando se trata de persuasão e marketing, para tanto, opta-se neste texto pela definição de marketing como um processo social, que consiste em analisar as necessidades das pessoas, os desejos, a demanda e o mercado para os produtos e serviços que serão lançados.


             2 ATIVIDADE TURÍSTICA


          Em 1282, a Itália já oferecia espetáculos a seus viajantes e contava com o primeiro grêmio de proprietários de pousadas. A respeito disto, Pires (2001, p.2), explica que era “transformar a hospedagem – até então quase sempre uma ação de caridade – numa atividade comercial”.
No século XVII, os jovens britânicos das classes média e alta realizavam o grand tour, viagens educacionais, na companhia de um responsável ou tutor, que duravam meses ou anos. Sobre estas viagens, Rodrigues (2001, p. 15) comenta que “no século XVII as pessoas viajavam, compravam obras de arte e visitavam os monumentos da Antiguidade, como o Fórum, em Roma”.
            Nesse período, a Europa estava iniciando seu processo de industrialização, o que favoreceu o desenvolvimento das companhias de transportes e, consequentemente, das viagens de jovens de outras partes do mundo como dos Estados Unidos, por exemplo.
Diante deste cenário de desenvolvimento das companhias de transportes, em 1841, foi criada a primeira agência de viagens por Thomas Cook, que organizava pacotes coletivos, inicialmente pela Inglaterra. Em 1867, Cook formulou um cupom que garantia a hospedagem dos seus clientes conhecidos como cheques de viagem ou voucher. Por volta de 1874, estes cheques passaram a ser utilizados para facilitar as viagens, por ser aceito como pagamento em estabelecimentos de vários países.
            Até o século XIX, as viagens eram feitas pela aristocracia e pela burguesia porque dispunha de dinheiro e tempo para o lazer, enquanto a população de baixo poder aquisitivo tinham apenas os passeios pela cidade, a pé ou de bicicleta aos domingos como lazer. Em 1930, com a conquista das férias remuneradas e o desenvolvimento dos meios de transportes, a publicidade apostou na ideologia dos benefícios das viagens para o corpo e a mente. Neste sentido, Santana (2009, p. 30) esclarece que “os lugares escolhidos eram preferencialmente os do interior, estações de inverno, balneários e lugares tranquilos, muitas vezes recomendados como medida terapêutica”. As férias então se transformaram em oportunidade para o lazer das famílias. Para Dumazedier (1979, p.20) o lazer é:

um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se ou, ainda, para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora, após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais.

  No século XX, após a Segunda Guerra Mundial, o continente europeu encontrava-se impactado pelo turismo de massa. Os turistas planejavam suas viagens com roteiros pré-definidos, hotéis, restaurantes e contavam com o aparato de empresas.


            3 IMAGENS E COMUNICAÇÃO


A magia de uma cidade histórica como Salvador ou Ouro Preto, por exemplo, é evidenciada nos cartões postais e sites de viagens, pois são verdadeiros museus a céu aberto, onde moradores e paisagem compõem um acervo de forma dinâmica. Esses espaços físicos geralmente são lugares de memória, fato explorado pela publicidade,  que transforma um destino em produto.
            O produto é aquilo que será oferecido para o cliente, e pode ter variadas dimensões. A citar o produto Bahia, que é vendido como sol, praias e sua rica cultura. Para as empresas turísticas situadas na Bahia, o produto é o seu serviço individual, mas para o turista, o produto será o conjunto de todos os serviços, englobando o destino, transporte, restaurante, hotel, os passeios e tudo o que faz parte do pacote adquirido. Ruschmann (1991, p. 11), reflete sobre a intangibilidade dos produtos turísticos, dizendo que ”o resíduo, após o uso, é uma experiência vivencial”.
            Na realidade, o produto turístico engloba lazer, segurança, acessibilidade e todas as facilidades para que o destino ou equipamento seja usufruído, afinal, uma característica marcante do produto turístico é a necessidade do público ir até ele. Esse tipo de serviço requer técnicas mercadológicas específicas utilizadas no marketing.
            Para Kotler e Armstrong (1991, p. 5), o marketing é o “processo pelo qual indivíduos e grupos obtêm o que precisam e desejam através da troca de produtos e valores. O desafio para o profissional deste segmento, está, entre outros, na valorização das qualidades do produto, buscando remeter ao cliente o desejo de vivenciar algo.
A propaganda desenvolve mecanismos de atuar persuadindo o público, através de diversos meios de comunicação, como TV, rádio, jornal, revista, outdoor, folder, entre outros. As imagens são trabalhadas estratégicamente para serem associadas ao lugar perfeito ou “dos sonhos”. Inclusive são através delas que  identificamos locais.
A fotografia apresenta a existência de algo, do espaço e do tempo, que poderá aguçar ou não a curiosidade de quem a vê. O retrato “enfeitado” pode conter um cenário planejado com figurantes e técnicas digitais que realçam as cores, demonstrando uma imagem equivocada. Dessa forma, percebe-se que há tensões entre a realidade e o material divulgado, sendo assim, como saber se a imagem publicitária é original ou persuasiva?
Pires (2002, p. 60) reflete que “o turismo, atende a necessidade do cliente de viver algo diferente e prazeroso, pois o produto vendido é um sonho, uma ilusão [...]”. A compreensão da imagem, por fim, está sujeita a interpretação subjetiva do outro, de sua vivência, seus desejos e sua capacidade crítica.


                4 CONCLUSÃO


             Com o crescimento constante da atividade turística, outras modalidades de turismo foram sendo praticadas, a exemplo do turismo cultural. Assim, os museus passaram a fazer parte dos roteiros de viagens, sendo incluídos nos roteiros turísticos.
            Destinos e espaços culturais tornam-se produtos a serem comercializados e traçam estratégias para disputar com os demais serviços de lazer. Por essa condição, entende-se a aplicação dos instrumentos de marketing nessas instituições. O consumidor avalia através da propaganda que pode apresentar simplesmente descrições ou imagens do que será oferecido, ao contrário dos produtos tangíveis, que podem ser tocados e avaliados.
            A gestão da comunicação e imagem fazem-se necessárias para viabilizar e promover os equipamentos e ações relacionadas ao turismo, entretanto, é importante que o conteúdo a ser exibido esteja de acordo com a realidade.
           
             
REFERÊNCIAS


ARMSTRONG, Gary; KOTLER, Philip. Princípios de marketing. Rio de Janeiro: Prentice Hall, 1991.

DUMAZIDIER, J. Sociologia Empírica do Lazer. São Paulo, Perspectiva, 1979.
KOTLER, Philip. Marketing para organizações que não visam o lucro. São Paulo: Atlas, 1978.

PIRES, Mário Jorge. Raízes do Turismo no Brasil. São Paulo: Editora Manole, 2001.
______. Lazer e Turismo Cultural. 2 ed. São Paulo: Editora Manole, 2002.

RODRIGUES, Marly. Preservar e consumir: o patrimônio histórico e o turismo. In: FUNARI, Pedro; PINSKY, Jaime. (Org.) Turismo e Patrimônio cultural. São Paulo: Contexto, 2001.

SANTANA, Agustín. Antropologia do turismo: analogias, encontros e relações. São Paulo: Aleph, 2009.

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