SALVADOR: TURISMO CONSCIENTE?
Natale Solís de O. Nascimento*
Cidades necessitam de um planejamento urbano adequado para atender as necessidades de seus moradores, bem como a conservação do patrimônio histórico-cultural, independente do seu potencial turístico. O planejamento básico surgiu como uma função pública e o turismo a seguir, como função privada, que comercializa lugares e serviços. Entretanto, com a crescente demanda, globalização e exploração de destinos, o turismo transformou-se também em função pública, de grandes proporções, englobando a esfera municipal, estadual e federal.
Nesse contexto, o público e o privado disputam a mercantilização dos espaços naturais, ocasionada tanto pela atividade turística, quanto pelos grandes empreendimentos imobiliários. Esse processo desencadeia segregação social, pois a cidade passa a ser remodelada "a gosto do cliente", e ainda, editada como um filme, onde decide-se o que é cortado ou mostrado nos meios de comunicação e nos velhos city tours. Esses circuitos escolhidos são bem cuidados, fotografados, filmados e enviados para o mundo, fazendo uma muralha invisível com a verdadeira cidade escondida e maltratada, dificultando ainda mais as relações de sociabilidade e interferindo na qualidade de vida.
Um planejamento cuidadoso evita que o local explorado não perca sua identidade em nome das estratégias e da produção de espaços inautênticos, como o Complexo Costa do Sauípe, que não oferece nenhum contato do turista com a cidade e sua gente. Nesse tipo de empreendimento, toda e qualquer intervenção é liberada com a desculpa do desenvolvimento e geração de empregos, o que não é verdade, uma vez que a população raramente está inserida e os impactos sócio ambientais são geralmente irreversíveis.
Um exemplo positivo de planejamento está na cidade de Berlim, na Alemanha. Apesar da imagem negativa ocasionada pela Guerra fria, Berlim soube tirar vantagens de sua história e hoje recebe inúmeros visitantes. Houve investimentos em museus, que contam a história do país, parques belíssimos, ótimo sistema de transporte e de lazer para a população residente, desfrutado conseqüentemente pelo turista. Os prédios foram restaurados para a moradia (ao contrário do que foi feito no Pelourinho).
Espaços (re)construídos de forma globalizada, perdem a identidade, deve-se respeitar a história, arquitetura e por fim, a originalidade da comunidade local, analisando a natureza do que será transformado, quem e como são as pessoas que ali vivem. Por falar em história, vale lembrar que a cultura não pode ser tratada como uma atividade folclórica e de encenação para turista ver, projetos turísticos conscientes valorizam a cultura com uma visão mais social e menos mercantilista.
Um exemplo positivo de planejamento está na cidade de Berlim, na Alemanha. Apesar da imagem negativa ocasionada pela Guerra fria, Berlim soube tirar vantagens de sua história e hoje recebe inúmeros visitantes. Houve investimentos em museus, que contam a história do país, parques belíssimos, ótimo sistema de transporte e de lazer para a população residente, desfrutado conseqüentemente pelo turista. Os prédios foram restaurados para a moradia (ao contrário do que foi feito no Pelourinho).
Espaços (re)construídos de forma globalizada, perdem a identidade, deve-se respeitar a história, arquitetura e por fim, a originalidade da comunidade local, analisando a natureza do que será transformado, quem e como são as pessoas que ali vivem. Por falar em história, vale lembrar que a cultura não pode ser tratada como uma atividade folclórica e de encenação para turista ver, projetos turísticos conscientes valorizam a cultura com uma visão mais social e menos mercantilista.
Afinal, o turista gosta de aproveitar e conhecer uma cidade autêntica, da maneira como ela serve seus moradores, e não um cenário “preparado” para ele, pois se há qualidade de vida, segurança e lazer para o morador, haverá para o turista também.
*Graduada em Turismo e Hotelaria pela Universidade do Estado da Bahia, estudante de especialização em comunicação e marketing em mídias sociais.
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