terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

TURISMO CULTURAL E MUSEUS



                                                                                       Natale Solís de O. Nascimento*
                                                                         natytur88@gmail.com


RESUMO

Este artigo bibliográfico e analítico traz um breve histórico sobre museus e turismo cultural, relacionando-os. O turismo, antes de ser tratado como assunto econômico, deve ser discutido como fenômeno antropológico e social e, sobretudo, uma atividade cultural que proporciona a integração de diferentes povos e descoberta do novo, o que acrescenta para turistas, autóctones e habitantes locais. O museu nesse cenário é um espaço de lazer que também cumpre o papel de difusor do conhecimento, uma vez que zelam por um acervo a fim de garantir  a perpetuação da memória social.

Palavras-Chave: Turismo cultural. Museus. Lazer. Conhecimento






*Graduada em Turismo e Hotelaria pela Universidade do Estado da Bahia, estudante de especialização em comunicação e marketing em mídias sociais.






1 INTRODUÇÃO


Na Europa, o patrimônio cultural e os museus tornaram-se fortes atrativos turísticos, na América Latina, também, há países como o México, no qual os museus e sítios arqueológicos são roteiros obrigatórios, como o Museu Nacional de Antropologia.
O ambiente museal transformou-se paulatinamente também em espaço de educação e lazer, de acordo com o desenvolvimento de cada país, aderiu à comunicação interativa através de recursos tecnológicos e ações junto à comunidade, esses espaços servem tanto os moradores quanto os turistas. Por esse motivo, reformulações e investimentos no ambiente museal são necessários para que o serviço oferecido tenha excelência  e qualidade como ambiente de educação, cultura, turismo e lazer. Afinal, o papel do museu ultrapassa a exposição oferecida, o espaço é um ambiente educacional que não conta apenas a história de onde está inserido, pois onde quer que esteja, tem a capacidade de contar a história do homem e do mundo.
O resíduo dessa interação e das experiências vividas deveria levar a uma reflexão crítica de ser e estar no mundo como parte integrante do sistema de relações que engloba passado, presente e futuro. Este passado, encontra-se em espaços de memória como os museus, que guardam imagens, textos, objetos e outras heranças que favorecem à expansão da consciência sobre si, do outro e do coletivo.


2 TURISMO CULTURAL


O turismo cultural é uma modalidade que consiste no deslocamento de pessoas com o objetivo de conhecer os elementos tradicionais das comunidades como a história, etnografia, arquitetura, arqueologia, museologia e outros patrimônios. Segundo Silberbereg apud Pires (2002, p.67), o turismo cultural é constituído por “visitas de pessoas de fora da comunidade receptora motivadas completamente ou em parte por interesse na oferta histórica, artística, científica ou no estilo de vida, tradições da comunidade, grupo ou instituição”. Sob outra perspectiva, Wahab (1991, p.26) compreende a atividade como:


[...] intencional, e que serve como meio de comunicação e elo da interação entre povos, tanto dentro de um mesmo país como fora dos limites geográficos dos países. Envolve o deslocamento temporário de pessoas para outra região, país ou continente, visando a satisfação das necessidades outras que não o exercício de uma função remunerada. Para o país receptor, o turismo é uma indústria cujos produtos são consumidos no local formando exportações invisíveis. Os benefícios originários deste fenômeno podem ser verificados na vida econômica, política, cultural e psicossociológica da comunidade.

Enquanto que para Rodrigues (2001, p. 15), “[...] o turismo cultural, tal qual o concebemos atualmente, inclui não apenas a oferta de espetáculos ou eventos, mas também a existência e preservação de um patrimônio cultural representado por museus, monumentos e locais históricos [...]”. Vale ressaltar que estes bens culturais são transformados em produtos turísticos, e neste sentido, ainda para Rodrigues (2001, p. 15) “a atividade turística é produto da sociedade capitalista industrial e se desenvolveu sob o impulso de motivações diversas, que incluem o consumo de bens culturais”. Tal prática, leva à uma preocupação a respeito da cultura, que não deverá se transformar em banalidade em nome de interesses capitalistas. É necessária a reflexão quanto a importância da conservação, preservação e valorização do tradicional, original e autêntico, evitando a espetacularização ou folclorização da cultura.
No turismo de massa é possível encontrar pessoas que viajam sem fins culturais definidos e acabam por frequentar tais espaços por encontrá-lo no caminho, ou pelo forte apelo promocional e prestígio que é contar que esteve naquele local. Ha consequências ambientais e culturais no turismo de massa, que muitas vezes é constituído por pessoas que não refletem com criticidade o ambiente visitado. Ruschmann (1991, p. 12) avalia o processo turístico da seguinte forma:

o maior dos movimentos migratórios da história da humanidade e caracteriza-se por sua taxa de crescimento constante. Este incremento responde por diversas e profundas necessidades do ser humano, bem-estar, expansão e repouso longe das tarefas impostas pelo trabalho cotidiano. Tenta-se escapar da rotina, conhecer novos prazeres, descobrir novos horizontes.

Atualmente o turismo cultural movimenta a economia de vários países. Nos Estados Unidos da América, por exemplo, segundo Brant (2002, p. 80), “o entretenimento é tido como um dos mais importantes mercados econômicos, e a arte é concebida como atividade social”. Assim sendo, o turista cultural busca o que as localidades têm de original, singular e autêntico, ou seja, ele busca a cultura de um povo, que segundo Muylaert (2000, p. 18):

“refere-se às atividades no campo da arte, da literatura, da música, do teatro, da dança ou qualquer outra que expresse uma forma de organização social, não só como manifestação original e de características exclusivas de determinado povo, mas também de outros, num intercâmbio permanente de experiências e realizações [...]”.

            Visando o fortalecimento do turismo cultural, a partir de 1967 os países dos Estados Americanos assinaram a Carta de Quito que sugere a elaboração de planos, programas e projetos articulando o patrimônio cultural ao desenvolvimento do turismo. Antes disto, em 1966, no governo de Castelo Branco, foi criado o Conselho Nacional do Turismo – CNTUR e a Empresa Brasileira de Turismo – EMBRATUR, atual Instituto Brasileiro de Turismo. Esta e outras ações como a valorização turística de monumentos brasileiros, festas e belezas naturais e a sua divulgação, fizeram com que o Brasil iniciasse esforços para associar o turismo cultural às outras modalidades já existentes.


             3 MUSEUS


            A prática de colecionar objetos é um hábito antigo do homem em diferentes momentos e sociedades. Para Benchetrit (2010, p.11), “coletar e guardar objetos, isolados ou como conjuntos, são considerados atos intrínsecos à natureza humana”. Por isto, é possível que a origem dos museus esteja relacionada à prática do colecionismo. 
            Há registros de que a origem do museu enquanto instituição deu-se na Grécia Antiga. O mouseîon, assim chamado, era um local com materiais e estrutura física adequada para estudos, as obras de artes eram ali colocadas para agradar aos deuses gregos. Estes espaços, segundo Suano (1986, p. 10), eram:

a casa das musas, uma mistura de templo e instituição de pesquisa, voltado, sobretudo para o saber filosófico [...] local privilegiado onde a mente repousava e o pensamento profundo e criativo, liberto dos problemas e aflições cotidianos poderia se dedicar às artes e às ciências.


No Renascimento, os museus já apresentavam características diferentes do mouseîon, eram localizados nas cidades, guardavam objetos de guerras, colônias ou pertences valiosos de famílias. As coleções particulares principescas e reais da Itália e França, por exemplo, priorizavam a quantidade de objetos curiosos e, ao contrário dos dias atuais, eram expostos amontoados, sem lógica organizacional. A visitação era restrita a um público seleto. Até o século XVI, os museus funcionavam em prédios fechados ou castelos, em ambientes restritos e manipulados pela e para a classe dominante. Suano (1986, p. 26) explica que o ambiente museal era restrito não apenas pela questão da segurança, mas principalmente pelo comportamento inadequado dos visitantes:

o grande problema era que na europa, até o século XVIII e mesmo XIX, era muito grande o número de pessoas incapazes de ler ou escrever, sem nenhuma educação ou informação sobre o mundo para além de sua pequena vila ou cidade. E para esse enorme contingente, coisas raras e curiosas estavam associadas aos circos e feiras ambulantes. Dessa forma, suas visitas às coleções da nobreza eram sempre feitas em alegre e “desrespeitosa” algazarra.


No século XVII, por volta de 1683, foi inaugurado o primeiro museu público da Europa, o Ashmolean, na Inglaterra, entretanto, a visitação continuava restrita a estudiosos. Apenas no século XVIII, o Museu do Louvre, na França, abriu galerias para a visitação indiscriminada, pois conforme Barreto (2007, p.142) este museu era considerado o “museu do povo”, no qual qualquer pessoa podia entrar sem pagar, ao contrário dos dias atuais. O objetivo desta ação era demonstrar às pessoas os incalculáveis valores burgueses após a revolução francesa.
Em 1857, o Museu de História Natural de Londres buscou aproximar o público ao suntuoso espaço, oferecendo bebidas e áreas para descanso dos visitantes. O intuito era basicamente dinamizar o espaço e torná-lo um ambiente educacional. Entre os séculos XIX e XX a quantidade de museus cresceu consideravelmente, a este respeito, Suano (1986, p. 49) relata que “para ter-se uma idéia numérica, basta dizer que a Inglaterra possuía 59 museus em 1850 e que deste ano até 1914 outros 295 foram criados!”
Apenas para ilustrar a origem deste aumento, no início do século XIX foram inaugurados os maiores e mais importantes museus da Europa. Suano (1986, p. 29), pontua: “o Belvedere de Viena (1783), o Museu Real dos Países Baixos, em Amsterdam (1808), o Museu do Prado, em Madri (1819), o Altes Museum, em Berlim (1810), o Museu do Hermitage, em Leningrado (1852)”.
No caso das Américas, no século XVIII, os Estados Unidos, já contavam com museus voltados para o público, mediante pagamento. Na América Central, Cuba destacou-se, foi um dos primeiros países a oferecer atividades educativas nos museus de arte. Na América Latina, os museus surgiram posteriormente baseando-se nos moldes europeus com o intuito de demonstrar desenvolvimento. Barreto, 2000, p. 73, explica que:

na maior parte da América Latina, os museus surgiram no século passado, fundados com a intenção de “civilizar”, ou seja, de trazer para o novo mundo os padrões científicos e culturais das nações colonizadoras. Os museus seriam, dessa forma, instituições transplantadas, criadas dentro dos ideais positivistas do progresso.


            Na América do Sul, os museus mais antigos são o Museu Real e o da Escola Nacional de Belas Artes, criados por D. João VI no início do século XIX no Rio de Janeiro.
            Mesmo com a existência destes e de outros museus, apenas em 1946, com a criação do Conselho Internacional de Museus – ICOM, deu-se novos rumos à museologia, seu espaço e função. Este Conselho definiu os museus como:

uma instituição permanente, sem finalidade lucrativa, a serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público, que realiza pesquisas sobre a evidência material do homem e do seu ambiente, adquire-a, conserva-a, investiga-a, comunica e exibe-a, com a finalidade de estudo, educação e fruição [...] institutos de preservação e galerias de exposição permanente de bibliotecas e centros de documentação; sítios e monumentos arqueológicos, etnográficos e naturais; sítios e monumentos históricos que tenham natureza de museus pelas atividades de aquisição, conservação e comunicação; instituições que mostrem espécies vivas, tais como zoológicos e jardins botânicos, aquários, viveiros, etc.; reservas naturais, centros de ciências e planetários. (ICOM, apud BARRETO, 2000, p. 55-56)



  As transformações no ambiente museal, denominada nova museografia, conforme Nascimento Júnior (2010, p. 25), reúne princípios como “instituição, comunidade, público, patrimônio, desenvolvimento e identidade”. Vale ressaltar, no entanto, que este processo não pode ser entendido, como outrora, em civilizar, e sim em educar.
            Por conta destas transformações, ao contrário dos primeiros museus, as instituições do século XXI estão abertas a qualquer público, visando democratizar o acesso, dinamizar o acervo e transmitir reflexões críticas aos diversos tipos de público, atingindo cada indivíduo de maneira única, de acordo com as necessidades e objetivos de cada um. Isto contribui para o enriquecimento qualitativo da sociedade. Visando esclarecimento, Benchetrit (2010, p.13) afirma que “o museu vem incorporando as mais diversas formas e instrumentos para implementar a comunicação com a sociedade. Isso pode ser observado através de exposições, dos programas educativos, da pesquisa e produção científica, das publicações e das atividades de lazer cultural”.
Assim sendo, o ambiente museal tornou-se um espaço que procura proporcionar ganhos intelectuais à comunidade, permitindo ao indivíduo frequentador a sensação de familiaridade e pertencimento do museu. Tais mudanças levaram algumas instituições culturais a agregar aos serviços convencionais, segundo Barreto (2000, p. 59):

[...] confecção e venda de souvenirs, reproduções, réplicas, catálogos e no oferecimento de cursos e palestras, assim como de apresentações teatrais, oficinas e equipamentos de oferta alimentar (cafés e restaurantes) [...] que deixam uma porcentagem do seu faturamento para o museu, além de atrair grandes quantidades de público.

Esta procura foi favorecida pelo turismo, que na visão de Nascimento Júnior (2010, p. 25) “a atividade museal tem a capacidade de dinamizar e promover o turismo local, e, em especial, de estimular o turismo cultural, entendido como um fator de atração do turismo nacional e internacional.”


            3.1 CLASSIFICAÇÃO DE MUSEUS


            De acordo com Barreto (2000), os museus são classificados por disciplinas, tipos de acervos e arquitetura. Podem ser de iniciativa pública e/ou privada. No caso das disciplinas, são classificados como museus de arte, história, antropologia, ciências & tecnologia, sempre de acordo com a natureza preponderante do seu acervo. Os museus de arte expõem obras como esculturas, pinturas, fotografias e afins. Os de história, buscam representar algum período histórico, através de objetos de época, a exemplo dos museus militares e memoriais. Os de antropologia, estão ligados à cultura, etnologia, etnografia, apresentam manifestações culturais, povos e grupos étnicos. Os de ciência & tecnologia, dedicam-se a exposições, atividades e outras relacionadas às ciências como planetários e demais espaços que apresentam curiosidades relacionadas à física, astronomia, medicina, entre outras áreas do saber.
            Quanto à classificação por tipo de acervos, poderão ser museus:
a] generalizados, que possuem acervo heterogêneo e diversificado;
b] especializados, são formados por coleções específicas como os numismáticos, por exemplo, voltados para moedas e medalhas;
c] mistos, são aqueles que reúnem acervos generalizados e especializados.
            No caso da classificação por arquitetura, está relacionado ao que se abriga. Assim, os museus podem ser de interiores, ao ar livre ou ecomuseus. Os museus de interiores são aqueles em que a propriedade foi comprada ou construída com a finalidade de guardar e expor seu acervo.
            Os museus ao ar livre, procuram recontar uma história da forma mais original possível, buscam retratar um cotidiano em áreas amplas, abertas e no seu contexto natural. Assim, o patrimônio natural pode estar exposto em museus de ciências naturais, aquários, jardins botânicos, zoológicos e parques naturais.       
            Os ecomuseus caracterizam-se pela reunião de objetos e outros acervos da, pela, para e com a comunidade, por isso a ecomuseologia é conhecida também como museologia comunitária, que vem se desenvolvendo na modernidade, procurando inserir o homem nas ações museológicas, de forma sustentável, para que juntos caminhem de forma ativa e conjunta, de acordo com a realidade no qual estão inseridos.
            Tanto na iniciativa pública ou privada, os museólogos muito reclamam da escassez de recursos e anseiam por políticas públicas que favoreçam o segmento cultural e consequentemente, a qualidade de vida e educação da sociedade. Dada a relevância desse assunto, faz-se necessária uma breve explanação das políticas públicas para museus no Brasil.



            3.2 POLÍTICAS PÚBLICAS PARA MUSEUS NO BRASIL


            As políticas públicas para os museus estão relacionadas à criação do Ministério da Cultura - MinC, em 1985 e do Fundo Nacional da Cultura – FNC em 1991,  junto a lei Rouanet que será explicada adiante.
            O MinC, tem lançado editais com base na Política Nacional de Museus. O objetivo é apoiar financeiramente projetos culturais que favoreçam a modernização e a implantação de tais espaços culturais.
            A respeito do Fundo Nacional, Brant (2002, p.67) explica que “o governo federal utiliza o Fundo Nacional da Cultura – FNC, criado em 1991, como instrumento para amenizar a má distribuição dos recursos públicos. Este é mantido comumente por verbas das loterias federais, que transforma os valores arrecadados em projetos culturais”.
Ainda em 1991 foram criados o Programa Nacional de Apoio à Cultura – Pronac, e a lei Rouanet, que juntos desenvolvem mecanismos para as políticas públicas no cenário cultural. A referida lei oferece descontos que variam entre 66% e 100% do imposto de renda às pessoas físicas ou jurídicas que apoiarem atividades culturais. Para as empresas, este processo constitui-se em uma ação de marketing institucional obtendo visibilidade, por associarem sua marca à responsabilidade sociocultural, como são os casos da Petrobrás, Itaú, Banco do Brasil, Caixa, Votorantim, dentre outras.
Além das leis federais, existem no Brasil leis estaduais e municipais que são cumulativas, ou seja, permite que um mesmo projeto seja contemplado nas três esferas, entretanto, não são todos os estados ou cidades que ainda contam com tais incentivos culturais.
            No ano de 2009, foi criado o Instituto Brasileiro de Museus – IBRAM para coordenar as ações ligadas à museologia em todo o país, melhorar os serviços do setor e:

tem como prioridade garantir a aquisição de equipamentos, material permanente e acervo, com valores que oscilam entre R$ 100 e R$ 200 mil. Em 2007, também foi criado o edital mais museus, com a finalidade de apoiar a criação de museus em cidades com até 50 mil habitantes. (REVISTA ESPECIAL DA VII SEMANA NACIONAL DE MUSEUS, 2009, p.6)

Em 2010, este Instituto lançou uma agenda com o Plano Nacional Setorial de Museus - PNSM para os próximos dez anos. Nele estão contidas medidas que visam estimular, promover e fortalecer as atividades museais no país. Entre os eixos temáticos encontram-se propostas para a gestão de museus, capacitação de profissionais, preservação de acervos, acessibilidade, modernização, dentre outros temas.
  No ano de 2011, o IBRAM publicou a Portaria nº 232, que estabelece o funcionamento mínimo dos museus seis dias por semana, sem agendamento prévio, e a partir de quatro horas nos sábados, domingos e feriados, já que a maior parte da população tem disponibilidade de tempo para o lazer nos finais de semana. Segundo pesquisa do IBRAM, apenas 55,5% dos museus abrem aos sábados; 43%, aos domingos.
Ainda neste ano, foi aprovado o Fundo Nacional de Desenvolvimento dos Museus – FNDM, para apoiar projetos especificamente relacionados à museologia, dessa forma, os museus não precisam disputar verbas com teatro, dança, música, cinema e todas as outras manifestações culturais.


4 CONCLUSÃO


Com o crescimento constante da atividade turística, outras modalidades de turismo foram sendo praticadas, a exemplo do turismo cultural. Essa vertente consiste no deslocamento de pessoas com o objetivo de conhecer os elementos tradicionais das comunidades como a história, etnografia, arquitetura, arqueologia, museologia e outros patrimônios.
            Os museus, por sua vez, são ambientes de preservação, conservação e perpetuação do patrimônio. De início, eram ambientes separatistas e excludentes, pois se restringiam para as classes dominantes. Ao longo dos anos o ambiente museal atravessou inúmeras transformações, a fim de democratizar o acesso e desfazer a imagem de espaço elitista que de certa forma perdura até os dias atuais. O esforço baseia-se em ações junto a comunidade, oferecendo atividades educativas e de lazer.
Ultimamente as políticas públicas municipais, estaduais e federais têm dado maior atenção aos museus, na tentativa de fomentar e apoiar tais instituições. Oportunidade para que recursos sejam destinados para modernizar, equipar, informatizar e possibilitar que as instituições culturais "apareçam" e se faça presente de forma positiva na vida das pessoas.
Com este panorama, nota-se a importância das políticas públicas para os museus, que se constituem em instituições voltadas para pesquisa, difusão do conhecimento e preservação do patrimônio, de utilidade pública, contribuindo para o desenvolvimento intelectual da sociedade e no incremento turístico das cidades que trabalham com este segmento.


REFERÊNCIAS


BARRETTO, Margarita. Turismo e Legado cultural: As possibilidades do planejamento. Campinas, S.P: Papirus, 2000.
BENCHETRIT, Sarah. Os museus e a comunicação. In: BENCHETRIT, Sarah; BEZERRA, Rafael; MAGALHÃES, Aline. (Org.) Museus e comunicação: exposições como objeto de estudo. Rio de Janeiro: Museu Histórico Nacional, 2010.
BRANT, Leonardo. Mercado Cultural: panorama crítico com dados e pesquisas e guia prático para gestão e venda de projetos. 3. ed. São Paulo: Escrituras editora, 2002.
MUYLAERT, Roberto. Marketing Cultural & comunicação dirigida. 5 ed. São Paulo: Globo, 2000.
NASCIMENTO JÚNIOR, José do (Org) Economia de museus. Brasília: MINC/IBRAM, 2010.
PIRES, Mário Jorge. Raízes do Turismo no Brasil. São Paulo: Editora Manole, 2001.
RODRIGUES, Marly. Preservar e consumir: o patrimônio histórico e o turismo. In: FUNARI, Pedro; PINSKY, Jaime. (Org.) Turismo e Patrimônio cultural. São Paulo: Contexto, 2001.
RUSCHMANN, Doris Van Meene. Marketing turístico: um enfoque promocional. Campinas, S.P: Papirus, 1991.
SUANO, Marlene. O que é Museu. São Paulo, Editora Brasiliense, 1986.
WAHAB, Salah; ELDIN, Adbel. Introdução à administração do turismo. 3. ed. São Paulo: Pioneira, 1991.

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