sexta-feira, 25 de maio de 2012

Reflexões sobre a África do Sul

Natale Nascimento


Viajar é sempre uma experiência enriquecedora, para mim particularmente como  turismóloga, analiso através das viagens o meio ambiente, social e  cultural no qual estou inserida.   A  seguir, algumas impressões das duas maiores cidades da África do Sul:  Joanesburgo e Cidade do Cabo, conhecidas pelos lados de lá como Joburg e Cape Town (Cidade mãe) que tive o prazer de conhecer entre abril e maio de 2012.
De início, percebe-se uma sociedade tradicional e um tanto machista, e quanto aos resquícios do apartheid, são visíveis em Joburg. A sensação é que a "separação" terminou oficialmente, mas há uma muralha invisível que ainda segrega. Provavelmente um branco não comprará sua casa num bairro de negros e nem um negro se sentiria a vontade em morar nos bairros de brancos, o mesmo vale para os demais espaços sociais. Quantos anos ainda se passarão para que o apartheid se desinstale da cabeça das pessoas??? 
            No bairro de Kensington é marcante a presença da população negra, portanto, se não havia a presença de brancos na área onde me hospedei, até a extensão do centro da cidade, conclui-se que estes encontram-se em seus próprios  bairros, não frequentando o mesmo ambiente da população negra. Exceto  no  turístico bairro negro de Soweto, que faz parte das atrações  turísticas  da cidade, uma vez que Nelson Mandela é considerado um mártir pelos sul-africanos.
Outro aspecto que vale frisar nos "bairros negros", são os comércios formais e informais  de angolanos, moçambicanos, entre outros, que buscam a estabilidade econômica na África do Sul.  Tal êxodo foi confirmado com a viagem de trem de Joburg para Cape Town, onde foi observado muitas pessoas de baixa renda, sobretudo mulheres e crianças provenientes de outras regiões da África.  
Esse fato reflete, ainda, na questão da comunicação, apesar do inglês ser o idioma oficial, é possível ouvir inúmeros dialetos por toda parte, que no comércio muitas vezes resulta em uma confusão linguística! As transações comerciais são interessantíssimas, a moeda corrente é o Rand, no comércio informal o cliente deve chegar colocando seu preço até a negociação chegar a um denominador comum... eu particularmente adoro esse sistema!
O transporte  urbano é uma questão interessante nas duas cidades, pois não há ônibus coletivo que faça vários roteiros. Os taxis devem ser chamados por telefone e quem está disposto  a  alugar um carro, deve ter atenção redobrada à mão inglesa, que atrapalha definitivamente a nossa cabeça. Em Cape Town há uma grande quantidade de vans que fazem o transporte urbano coletivo, gritam pelas  janelas o roteiro e ainda esperam que atravessemos a rua para tomá-los!  Outra coisa interessante é a cobrança: o dinheiro vai  passando de mão em mão até chegar ao motorista. Na base da confiança, muitas vezes um dos  passageiros se encarrega de passar o troco para os  demais, abrir e fechar as portas do carro...  A população de ambas  cidades é prestativa,  hospitaleira e calorosa.   
Na "Cidade mãe" é possível encontrar gente das mais diversas nacionalidades e a cozinha internacional tomou conta, tanto que encontramos poucos restaurantes especialistas em comida africana. Por falar na comida local, o gengibre e a pimenta são muito utilizados, come-se muito frango e frituras. A "pap" é um acompanhamento tradicional feito com farinha de milho branca e água. As bebidas locais: o delicioso licor de amarula e a cerveja Savana, meio adocicada. Interessante que o café da manhã em Cape Town é totalmente americano: ovos,  bacon, leite, cereal. Apesar de guardar a herança da colonização  inglesa, com a tradicional pausa para o chá.  
Cape Town é turística e cosmopolita, por esse motivo, menos tradicional que Joburg. Por receber tantos "forasteiros" é muito comum encontrar backpackers (albergues) e os chamados guesthouses: esse é o meio de hospedagem que geralmente oferece quartos limpos diariamente com ou sem banheiro. O café da manhã e o serviço de lavanderia são a parte, entretanto, a cozinha e seus acessórios podem ser usados coletivamente.
O que mais me surpreendeu, no entanto, foi a religião, com a presença considerável de muçulmanos e evangélicos. Em Cape Town fiquei hospedada em uma guesthouse onde vive uma comunidade angolana e todos são evangélicos. Já havia conversado sobre isso no Brasil com  dois  amigos nigerianos, também evangélicos, mas não imaginava  quão  grande foi a transformação. O candomblé por eles é visto com  repúdio e são poucos os que preservam e conhecem verdadeiramente tais  rituais.  Como estamos acostumados no Brasil, ouvir sobre nossas  heranças  africanas, pude perceber que agora somos os guardiães dessa  cultura,  especialmente a Bahia e o Rio de Janeiro, lá não ouvi falar de orixás nem de dendê!  
De modo geral, foi uma viagem esclarecedora, pois posso desmistificar para muitos que a África é diferente do que se imagina, já vieram me perguntar se nas ruas havia meninos nus passando fome ou se comíamos todos em uma bacia, como se vêem em documentários sobre a Somália e outros países pobres que compõem o continente...
A  África do Sul têm outras características, tanto pela grande quantidade de brancos, ao contrário do que se imagina, quanto no que tange o desenvolvimento econômico, que vem acompanhado da modernização, sobretudo por ter sediado recentemente a copa do mundo.
Esteticamente Cape Town compara-se com o Rio de Janeiro, pelas paisagens verdes e de mar, pelas pessoas e a vida noturna, especialmente na badalada rua conhecida como Long Street. Joanesburgo compara-se a São Paulo, pois senti uma selva de pedras e de negócios... Imagino que tenha lazer e vida cultural, como todo grande centro oferece, mas possui uma atmosfera diferente, mais reservada. Quanto a vida cultural de lá, pelo pouco tempo, conheci apenas o Museu do Apartheid, muito bem  estruturado e  interativo, diga-se de passagem.
Contudo, o mais importante minha gente, é lembrar que a África não é um país e sim um continente, formado por vários países com suas particularidades, e das pessoas que conheci de alguns desses países, pude ver a semelhança na alegria e no jeitinho brasileiro de ser... eu sinceramente, me senti em casa!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

TURISMO CULTURAL E MUSEUS



                                                                                       Natale Solís de O. Nascimento*
                                                                         natytur88@gmail.com


RESUMO

Este artigo bibliográfico e analítico traz um breve histórico sobre museus e turismo cultural, relacionando-os. O turismo, antes de ser tratado como assunto econômico, deve ser discutido como fenômeno antropológico e social e, sobretudo, uma atividade cultural que proporciona a integração de diferentes povos e descoberta do novo, o que acrescenta para turistas, autóctones e habitantes locais. O museu nesse cenário é um espaço de lazer que também cumpre o papel de difusor do conhecimento, uma vez que zelam por um acervo a fim de garantir  a perpetuação da memória social.

Palavras-Chave: Turismo cultural. Museus. Lazer. Conhecimento






*Graduada em Turismo e Hotelaria pela Universidade do Estado da Bahia, estudante de especialização em comunicação e marketing em mídias sociais.






1 INTRODUÇÃO


Na Europa, o patrimônio cultural e os museus tornaram-se fortes atrativos turísticos, na América Latina, também, há países como o México, no qual os museus e sítios arqueológicos são roteiros obrigatórios, como o Museu Nacional de Antropologia.
O ambiente museal transformou-se paulatinamente também em espaço de educação e lazer, de acordo com o desenvolvimento de cada país, aderiu à comunicação interativa através de recursos tecnológicos e ações junto à comunidade, esses espaços servem tanto os moradores quanto os turistas. Por esse motivo, reformulações e investimentos no ambiente museal são necessários para que o serviço oferecido tenha excelência  e qualidade como ambiente de educação, cultura, turismo e lazer. Afinal, o papel do museu ultrapassa a exposição oferecida, o espaço é um ambiente educacional que não conta apenas a história de onde está inserido, pois onde quer que esteja, tem a capacidade de contar a história do homem e do mundo.
O resíduo dessa interação e das experiências vividas deveria levar a uma reflexão crítica de ser e estar no mundo como parte integrante do sistema de relações que engloba passado, presente e futuro. Este passado, encontra-se em espaços de memória como os museus, que guardam imagens, textos, objetos e outras heranças que favorecem à expansão da consciência sobre si, do outro e do coletivo.


2 TURISMO CULTURAL


O turismo cultural é uma modalidade que consiste no deslocamento de pessoas com o objetivo de conhecer os elementos tradicionais das comunidades como a história, etnografia, arquitetura, arqueologia, museologia e outros patrimônios. Segundo Silberbereg apud Pires (2002, p.67), o turismo cultural é constituído por “visitas de pessoas de fora da comunidade receptora motivadas completamente ou em parte por interesse na oferta histórica, artística, científica ou no estilo de vida, tradições da comunidade, grupo ou instituição”. Sob outra perspectiva, Wahab (1991, p.26) compreende a atividade como:


[...] intencional, e que serve como meio de comunicação e elo da interação entre povos, tanto dentro de um mesmo país como fora dos limites geográficos dos países. Envolve o deslocamento temporário de pessoas para outra região, país ou continente, visando a satisfação das necessidades outras que não o exercício de uma função remunerada. Para o país receptor, o turismo é uma indústria cujos produtos são consumidos no local formando exportações invisíveis. Os benefícios originários deste fenômeno podem ser verificados na vida econômica, política, cultural e psicossociológica da comunidade.

Enquanto que para Rodrigues (2001, p. 15), “[...] o turismo cultural, tal qual o concebemos atualmente, inclui não apenas a oferta de espetáculos ou eventos, mas também a existência e preservação de um patrimônio cultural representado por museus, monumentos e locais históricos [...]”. Vale ressaltar que estes bens culturais são transformados em produtos turísticos, e neste sentido, ainda para Rodrigues (2001, p. 15) “a atividade turística é produto da sociedade capitalista industrial e se desenvolveu sob o impulso de motivações diversas, que incluem o consumo de bens culturais”. Tal prática, leva à uma preocupação a respeito da cultura, que não deverá se transformar em banalidade em nome de interesses capitalistas. É necessária a reflexão quanto a importância da conservação, preservação e valorização do tradicional, original e autêntico, evitando a espetacularização ou folclorização da cultura.
No turismo de massa é possível encontrar pessoas que viajam sem fins culturais definidos e acabam por frequentar tais espaços por encontrá-lo no caminho, ou pelo forte apelo promocional e prestígio que é contar que esteve naquele local. Ha consequências ambientais e culturais no turismo de massa, que muitas vezes é constituído por pessoas que não refletem com criticidade o ambiente visitado. Ruschmann (1991, p. 12) avalia o processo turístico da seguinte forma:

o maior dos movimentos migratórios da história da humanidade e caracteriza-se por sua taxa de crescimento constante. Este incremento responde por diversas e profundas necessidades do ser humano, bem-estar, expansão e repouso longe das tarefas impostas pelo trabalho cotidiano. Tenta-se escapar da rotina, conhecer novos prazeres, descobrir novos horizontes.

Atualmente o turismo cultural movimenta a economia de vários países. Nos Estados Unidos da América, por exemplo, segundo Brant (2002, p. 80), “o entretenimento é tido como um dos mais importantes mercados econômicos, e a arte é concebida como atividade social”. Assim sendo, o turista cultural busca o que as localidades têm de original, singular e autêntico, ou seja, ele busca a cultura de um povo, que segundo Muylaert (2000, p. 18):

“refere-se às atividades no campo da arte, da literatura, da música, do teatro, da dança ou qualquer outra que expresse uma forma de organização social, não só como manifestação original e de características exclusivas de determinado povo, mas também de outros, num intercâmbio permanente de experiências e realizações [...]”.

            Visando o fortalecimento do turismo cultural, a partir de 1967 os países dos Estados Americanos assinaram a Carta de Quito que sugere a elaboração de planos, programas e projetos articulando o patrimônio cultural ao desenvolvimento do turismo. Antes disto, em 1966, no governo de Castelo Branco, foi criado o Conselho Nacional do Turismo – CNTUR e a Empresa Brasileira de Turismo – EMBRATUR, atual Instituto Brasileiro de Turismo. Esta e outras ações como a valorização turística de monumentos brasileiros, festas e belezas naturais e a sua divulgação, fizeram com que o Brasil iniciasse esforços para associar o turismo cultural às outras modalidades já existentes.


             3 MUSEUS


            A prática de colecionar objetos é um hábito antigo do homem em diferentes momentos e sociedades. Para Benchetrit (2010, p.11), “coletar e guardar objetos, isolados ou como conjuntos, são considerados atos intrínsecos à natureza humana”. Por isto, é possível que a origem dos museus esteja relacionada à prática do colecionismo. 
            Há registros de que a origem do museu enquanto instituição deu-se na Grécia Antiga. O mouseîon, assim chamado, era um local com materiais e estrutura física adequada para estudos, as obras de artes eram ali colocadas para agradar aos deuses gregos. Estes espaços, segundo Suano (1986, p. 10), eram:

a casa das musas, uma mistura de templo e instituição de pesquisa, voltado, sobretudo para o saber filosófico [...] local privilegiado onde a mente repousava e o pensamento profundo e criativo, liberto dos problemas e aflições cotidianos poderia se dedicar às artes e às ciências.


No Renascimento, os museus já apresentavam características diferentes do mouseîon, eram localizados nas cidades, guardavam objetos de guerras, colônias ou pertences valiosos de famílias. As coleções particulares principescas e reais da Itália e França, por exemplo, priorizavam a quantidade de objetos curiosos e, ao contrário dos dias atuais, eram expostos amontoados, sem lógica organizacional. A visitação era restrita a um público seleto. Até o século XVI, os museus funcionavam em prédios fechados ou castelos, em ambientes restritos e manipulados pela e para a classe dominante. Suano (1986, p. 26) explica que o ambiente museal era restrito não apenas pela questão da segurança, mas principalmente pelo comportamento inadequado dos visitantes:

o grande problema era que na europa, até o século XVIII e mesmo XIX, era muito grande o número de pessoas incapazes de ler ou escrever, sem nenhuma educação ou informação sobre o mundo para além de sua pequena vila ou cidade. E para esse enorme contingente, coisas raras e curiosas estavam associadas aos circos e feiras ambulantes. Dessa forma, suas visitas às coleções da nobreza eram sempre feitas em alegre e “desrespeitosa” algazarra.


No século XVII, por volta de 1683, foi inaugurado o primeiro museu público da Europa, o Ashmolean, na Inglaterra, entretanto, a visitação continuava restrita a estudiosos. Apenas no século XVIII, o Museu do Louvre, na França, abriu galerias para a visitação indiscriminada, pois conforme Barreto (2007, p.142) este museu era considerado o “museu do povo”, no qual qualquer pessoa podia entrar sem pagar, ao contrário dos dias atuais. O objetivo desta ação era demonstrar às pessoas os incalculáveis valores burgueses após a revolução francesa.
Em 1857, o Museu de História Natural de Londres buscou aproximar o público ao suntuoso espaço, oferecendo bebidas e áreas para descanso dos visitantes. O intuito era basicamente dinamizar o espaço e torná-lo um ambiente educacional. Entre os séculos XIX e XX a quantidade de museus cresceu consideravelmente, a este respeito, Suano (1986, p. 49) relata que “para ter-se uma idéia numérica, basta dizer que a Inglaterra possuía 59 museus em 1850 e que deste ano até 1914 outros 295 foram criados!”
Apenas para ilustrar a origem deste aumento, no início do século XIX foram inaugurados os maiores e mais importantes museus da Europa. Suano (1986, p. 29), pontua: “o Belvedere de Viena (1783), o Museu Real dos Países Baixos, em Amsterdam (1808), o Museu do Prado, em Madri (1819), o Altes Museum, em Berlim (1810), o Museu do Hermitage, em Leningrado (1852)”.
No caso das Américas, no século XVIII, os Estados Unidos, já contavam com museus voltados para o público, mediante pagamento. Na América Central, Cuba destacou-se, foi um dos primeiros países a oferecer atividades educativas nos museus de arte. Na América Latina, os museus surgiram posteriormente baseando-se nos moldes europeus com o intuito de demonstrar desenvolvimento. Barreto, 2000, p. 73, explica que:

na maior parte da América Latina, os museus surgiram no século passado, fundados com a intenção de “civilizar”, ou seja, de trazer para o novo mundo os padrões científicos e culturais das nações colonizadoras. Os museus seriam, dessa forma, instituições transplantadas, criadas dentro dos ideais positivistas do progresso.


            Na América do Sul, os museus mais antigos são o Museu Real e o da Escola Nacional de Belas Artes, criados por D. João VI no início do século XIX no Rio de Janeiro.
            Mesmo com a existência destes e de outros museus, apenas em 1946, com a criação do Conselho Internacional de Museus – ICOM, deu-se novos rumos à museologia, seu espaço e função. Este Conselho definiu os museus como:

uma instituição permanente, sem finalidade lucrativa, a serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público, que realiza pesquisas sobre a evidência material do homem e do seu ambiente, adquire-a, conserva-a, investiga-a, comunica e exibe-a, com a finalidade de estudo, educação e fruição [...] institutos de preservação e galerias de exposição permanente de bibliotecas e centros de documentação; sítios e monumentos arqueológicos, etnográficos e naturais; sítios e monumentos históricos que tenham natureza de museus pelas atividades de aquisição, conservação e comunicação; instituições que mostrem espécies vivas, tais como zoológicos e jardins botânicos, aquários, viveiros, etc.; reservas naturais, centros de ciências e planetários. (ICOM, apud BARRETO, 2000, p. 55-56)



  As transformações no ambiente museal, denominada nova museografia, conforme Nascimento Júnior (2010, p. 25), reúne princípios como “instituição, comunidade, público, patrimônio, desenvolvimento e identidade”. Vale ressaltar, no entanto, que este processo não pode ser entendido, como outrora, em civilizar, e sim em educar.
            Por conta destas transformações, ao contrário dos primeiros museus, as instituições do século XXI estão abertas a qualquer público, visando democratizar o acesso, dinamizar o acervo e transmitir reflexões críticas aos diversos tipos de público, atingindo cada indivíduo de maneira única, de acordo com as necessidades e objetivos de cada um. Isto contribui para o enriquecimento qualitativo da sociedade. Visando esclarecimento, Benchetrit (2010, p.13) afirma que “o museu vem incorporando as mais diversas formas e instrumentos para implementar a comunicação com a sociedade. Isso pode ser observado através de exposições, dos programas educativos, da pesquisa e produção científica, das publicações e das atividades de lazer cultural”.
Assim sendo, o ambiente museal tornou-se um espaço que procura proporcionar ganhos intelectuais à comunidade, permitindo ao indivíduo frequentador a sensação de familiaridade e pertencimento do museu. Tais mudanças levaram algumas instituições culturais a agregar aos serviços convencionais, segundo Barreto (2000, p. 59):

[...] confecção e venda de souvenirs, reproduções, réplicas, catálogos e no oferecimento de cursos e palestras, assim como de apresentações teatrais, oficinas e equipamentos de oferta alimentar (cafés e restaurantes) [...] que deixam uma porcentagem do seu faturamento para o museu, além de atrair grandes quantidades de público.

Esta procura foi favorecida pelo turismo, que na visão de Nascimento Júnior (2010, p. 25) “a atividade museal tem a capacidade de dinamizar e promover o turismo local, e, em especial, de estimular o turismo cultural, entendido como um fator de atração do turismo nacional e internacional.”


            3.1 CLASSIFICAÇÃO DE MUSEUS


            De acordo com Barreto (2000), os museus são classificados por disciplinas, tipos de acervos e arquitetura. Podem ser de iniciativa pública e/ou privada. No caso das disciplinas, são classificados como museus de arte, história, antropologia, ciências & tecnologia, sempre de acordo com a natureza preponderante do seu acervo. Os museus de arte expõem obras como esculturas, pinturas, fotografias e afins. Os de história, buscam representar algum período histórico, através de objetos de época, a exemplo dos museus militares e memoriais. Os de antropologia, estão ligados à cultura, etnologia, etnografia, apresentam manifestações culturais, povos e grupos étnicos. Os de ciência & tecnologia, dedicam-se a exposições, atividades e outras relacionadas às ciências como planetários e demais espaços que apresentam curiosidades relacionadas à física, astronomia, medicina, entre outras áreas do saber.
            Quanto à classificação por tipo de acervos, poderão ser museus:
a] generalizados, que possuem acervo heterogêneo e diversificado;
b] especializados, são formados por coleções específicas como os numismáticos, por exemplo, voltados para moedas e medalhas;
c] mistos, são aqueles que reúnem acervos generalizados e especializados.
            No caso da classificação por arquitetura, está relacionado ao que se abriga. Assim, os museus podem ser de interiores, ao ar livre ou ecomuseus. Os museus de interiores são aqueles em que a propriedade foi comprada ou construída com a finalidade de guardar e expor seu acervo.
            Os museus ao ar livre, procuram recontar uma história da forma mais original possível, buscam retratar um cotidiano em áreas amplas, abertas e no seu contexto natural. Assim, o patrimônio natural pode estar exposto em museus de ciências naturais, aquários, jardins botânicos, zoológicos e parques naturais.       
            Os ecomuseus caracterizam-se pela reunião de objetos e outros acervos da, pela, para e com a comunidade, por isso a ecomuseologia é conhecida também como museologia comunitária, que vem se desenvolvendo na modernidade, procurando inserir o homem nas ações museológicas, de forma sustentável, para que juntos caminhem de forma ativa e conjunta, de acordo com a realidade no qual estão inseridos.
            Tanto na iniciativa pública ou privada, os museólogos muito reclamam da escassez de recursos e anseiam por políticas públicas que favoreçam o segmento cultural e consequentemente, a qualidade de vida e educação da sociedade. Dada a relevância desse assunto, faz-se necessária uma breve explanação das políticas públicas para museus no Brasil.



            3.2 POLÍTICAS PÚBLICAS PARA MUSEUS NO BRASIL


            As políticas públicas para os museus estão relacionadas à criação do Ministério da Cultura - MinC, em 1985 e do Fundo Nacional da Cultura – FNC em 1991,  junto a lei Rouanet que será explicada adiante.
            O MinC, tem lançado editais com base na Política Nacional de Museus. O objetivo é apoiar financeiramente projetos culturais que favoreçam a modernização e a implantação de tais espaços culturais.
            A respeito do Fundo Nacional, Brant (2002, p.67) explica que “o governo federal utiliza o Fundo Nacional da Cultura – FNC, criado em 1991, como instrumento para amenizar a má distribuição dos recursos públicos. Este é mantido comumente por verbas das loterias federais, que transforma os valores arrecadados em projetos culturais”.
Ainda em 1991 foram criados o Programa Nacional de Apoio à Cultura – Pronac, e a lei Rouanet, que juntos desenvolvem mecanismos para as políticas públicas no cenário cultural. A referida lei oferece descontos que variam entre 66% e 100% do imposto de renda às pessoas físicas ou jurídicas que apoiarem atividades culturais. Para as empresas, este processo constitui-se em uma ação de marketing institucional obtendo visibilidade, por associarem sua marca à responsabilidade sociocultural, como são os casos da Petrobrás, Itaú, Banco do Brasil, Caixa, Votorantim, dentre outras.
Além das leis federais, existem no Brasil leis estaduais e municipais que são cumulativas, ou seja, permite que um mesmo projeto seja contemplado nas três esferas, entretanto, não são todos os estados ou cidades que ainda contam com tais incentivos culturais.
            No ano de 2009, foi criado o Instituto Brasileiro de Museus – IBRAM para coordenar as ações ligadas à museologia em todo o país, melhorar os serviços do setor e:

tem como prioridade garantir a aquisição de equipamentos, material permanente e acervo, com valores que oscilam entre R$ 100 e R$ 200 mil. Em 2007, também foi criado o edital mais museus, com a finalidade de apoiar a criação de museus em cidades com até 50 mil habitantes. (REVISTA ESPECIAL DA VII SEMANA NACIONAL DE MUSEUS, 2009, p.6)

Em 2010, este Instituto lançou uma agenda com o Plano Nacional Setorial de Museus - PNSM para os próximos dez anos. Nele estão contidas medidas que visam estimular, promover e fortalecer as atividades museais no país. Entre os eixos temáticos encontram-se propostas para a gestão de museus, capacitação de profissionais, preservação de acervos, acessibilidade, modernização, dentre outros temas.
  No ano de 2011, o IBRAM publicou a Portaria nº 232, que estabelece o funcionamento mínimo dos museus seis dias por semana, sem agendamento prévio, e a partir de quatro horas nos sábados, domingos e feriados, já que a maior parte da população tem disponibilidade de tempo para o lazer nos finais de semana. Segundo pesquisa do IBRAM, apenas 55,5% dos museus abrem aos sábados; 43%, aos domingos.
Ainda neste ano, foi aprovado o Fundo Nacional de Desenvolvimento dos Museus – FNDM, para apoiar projetos especificamente relacionados à museologia, dessa forma, os museus não precisam disputar verbas com teatro, dança, música, cinema e todas as outras manifestações culturais.


4 CONCLUSÃO


Com o crescimento constante da atividade turística, outras modalidades de turismo foram sendo praticadas, a exemplo do turismo cultural. Essa vertente consiste no deslocamento de pessoas com o objetivo de conhecer os elementos tradicionais das comunidades como a história, etnografia, arquitetura, arqueologia, museologia e outros patrimônios.
            Os museus, por sua vez, são ambientes de preservação, conservação e perpetuação do patrimônio. De início, eram ambientes separatistas e excludentes, pois se restringiam para as classes dominantes. Ao longo dos anos o ambiente museal atravessou inúmeras transformações, a fim de democratizar o acesso e desfazer a imagem de espaço elitista que de certa forma perdura até os dias atuais. O esforço baseia-se em ações junto a comunidade, oferecendo atividades educativas e de lazer.
Ultimamente as políticas públicas municipais, estaduais e federais têm dado maior atenção aos museus, na tentativa de fomentar e apoiar tais instituições. Oportunidade para que recursos sejam destinados para modernizar, equipar, informatizar e possibilitar que as instituições culturais "apareçam" e se faça presente de forma positiva na vida das pessoas.
Com este panorama, nota-se a importância das políticas públicas para os museus, que se constituem em instituições voltadas para pesquisa, difusão do conhecimento e preservação do patrimônio, de utilidade pública, contribuindo para o desenvolvimento intelectual da sociedade e no incremento turístico das cidades que trabalham com este segmento.


REFERÊNCIAS


BARRETTO, Margarita. Turismo e Legado cultural: As possibilidades do planejamento. Campinas, S.P: Papirus, 2000.
BENCHETRIT, Sarah. Os museus e a comunicação. In: BENCHETRIT, Sarah; BEZERRA, Rafael; MAGALHÃES, Aline. (Org.) Museus e comunicação: exposições como objeto de estudo. Rio de Janeiro: Museu Histórico Nacional, 2010.
BRANT, Leonardo. Mercado Cultural: panorama crítico com dados e pesquisas e guia prático para gestão e venda de projetos. 3. ed. São Paulo: Escrituras editora, 2002.
MUYLAERT, Roberto. Marketing Cultural & comunicação dirigida. 5 ed. São Paulo: Globo, 2000.
NASCIMENTO JÚNIOR, José do (Org) Economia de museus. Brasília: MINC/IBRAM, 2010.
PIRES, Mário Jorge. Raízes do Turismo no Brasil. São Paulo: Editora Manole, 2001.
RODRIGUES, Marly. Preservar e consumir: o patrimônio histórico e o turismo. In: FUNARI, Pedro; PINSKY, Jaime. (Org.) Turismo e Patrimônio cultural. São Paulo: Contexto, 2001.
RUSCHMANN, Doris Van Meene. Marketing turístico: um enfoque promocional. Campinas, S.P: Papirus, 1991.
SUANO, Marlene. O que é Museu. São Paulo, Editora Brasiliense, 1986.
WAHAB, Salah; ELDIN, Adbel. Introdução à administração do turismo. 3. ed. São Paulo: Pioneira, 1991.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Reflexões turísticas...


SALVADOR: TURISMO CONSCIENTE?


                                                                                               Natale Solís de O. Nascimento*
                                                                                         natyturismo@yahoo.com.br



          Cidades necessitam de um planejamento urbano adequado para atender as necessidades de seus moradores, bem como a conservação do patrimônio histórico-cultural, independente do seu potencial turístico. O planejamento básico surgiu como uma função pública e o turismo a seguir, como função privada, que comercializa lugares e serviços. Entretanto, com a crescente demanda, globalização e exploração de destinos, o turismo transformou-se também em função pública, de grandes proporções, englobando a esfera municipal, estadual e federal.
          Nesse contexto, o público e o privado disputam a mercantilização dos espaços naturais, ocasionada tanto pela atividade turística, quanto pelos grandes empreendimentos imobiliários. Esse processo desencadeia segregação social, pois a cidade passa a ser remodelada "a gosto do cliente", e ainda, editada como um filme, onde decide-se o que é cortado ou mostrado nos meios de comunicação e nos velhos city tours. Esses circuitos escolhidos são bem cuidados, fotografados, filmados e enviados para o mundo, fazendo uma muralha invisível com a verdadeira cidade escondida e maltratada, dificultando ainda mais as relações de sociabilidade e interferindo na qualidade de vida.
          Um planejamento cuidadoso evita que o local explorado não perca sua identidade em nome das estratégias e da produção de espaços inautênticos, como o Complexo Costa do Sauípe, que não oferece nenhum contato do turista com a cidade e sua gente. Nesse tipo de empreendimento, toda e qualquer intervenção é liberada com a desculpa do desenvolvimento e geração de empregos, o que não é verdade, uma vez que a população raramente está inserida e os impactos sócio ambientais são geralmente irreversíveis.
          Um exemplo positivo de planejamento está na cidade de Berlim, na Alemanha. Apesar da imagem negativa ocasionada pela Guerra fria, Berlim soube tirar vantagens de sua história e hoje recebe inúmeros visitantes. Houve investimentos em museus, que contam a história do país, parques belíssimos, ótimo sistema de transporte e de lazer para a população residente, desfrutado conseqüentemente pelo turista. Os prédios foram restaurados para a moradia (ao contrário do que foi feito no Pelourinho). 
       Espaços (re)construídos de forma globalizada, perdem a identidade, deve-se respeitar a história, arquitetura e por fim, a originalidade da comunidade local, analisando a natureza do que será transformado, quem e como são as pessoas que ali vivem. Por falar em história, vale lembrar que a cultura não pode ser tratada como uma atividade folclórica e de encenação para turista ver, projetos turísticos conscientes valorizam a cultura com uma visão mais social e menos mercantilista.
          Afinal, o turista gosta de aproveitar e conhecer uma cidade autêntica, da maneira como ela serve seus moradores, e não um cenário “preparado” para ele, pois se há qualidade de vida, segurança e lazer para o morador, haverá para o turista também.


*Graduada em Turismo e Hotelaria pela Universidade do Estado da Bahia, estudante de especialização em comunicação e marketing em mídias sociais.



IMAGEM E COMUNICAÇÃO ESTRATÉGICA PARA O TURISMO

                                                                                               Natale Solís de O. Nascimento*
                                                                                       natytur88@gmail.com



RESUMO

As instituições que trabalham com o turismo possuem como público focal turistas e residentes para controlar os problemas da sazonalidade. Para tanto, a gestão estratégica de marketing é elemento fundamental para a consolidação desse processo, essa dinâmica envolve imagens e comunicação que buscam persuadir o futuro visitante. Este artigo de cunho analítico e bibliográfico aborda as técnicas de marketing utilizadas por destinos e instituições que trabalham com o turismo cultural, e nesse sentido, a  publicidade aposta na comunicação persuasiva que envolve imagens e descrições dos locais ou de fatos históricos alí ocorridos, a fim de atingir o imaginário do indivíduo.


Palavras-Chave: Turismo. Marketing. Técnicas. Comunicação.





  

*Graduada em Turismo e Hotelaria pela Universidade do Estado da Bahia, estudante de especialização em comunicação e marketing em mídias sociais.






             1 INTRODUÇÃO


Desde a origem da humanidade, o deslocamento de pessoas sempre existiu, seja por nômades, desbravadores, peregrinos, caixeiros viajantes, pintores e outros artistas. Há relatos de viagens por diferentes motivos, de modo que a expressão turismo surgiu a partir do momento em que criaram serviços e infra-estrutura para atender ao viajante. Isto leva a uma compreensão de que uma simples viagem não pode ser considerada turismo, mas o turismo implica em uma viagem.
Em alguns países, como o Brasil, apenas os recursos naturais são exaltados pela propaganda, fazendo com que as cidades dotadas de belezas naturais e clima favorável para o turismo de sol, se esforcem demasiadamente para propor o turismo cultural. Assim, espaços culturais como museus, devem traçar estratégias para disputar com os demais serviços de turismo e lazer.
Imagens e comunicação são elementos imprescindíveis quando se trata de persuasão e marketing, para tanto, opta-se neste texto pela definição de marketing como um processo social, que consiste em analisar as necessidades das pessoas, os desejos, a demanda e o mercado para os produtos e serviços que serão lançados.


             2 ATIVIDADE TURÍSTICA


          Em 1282, a Itália já oferecia espetáculos a seus viajantes e contava com o primeiro grêmio de proprietários de pousadas. A respeito disto, Pires (2001, p.2), explica que era “transformar a hospedagem – até então quase sempre uma ação de caridade – numa atividade comercial”.
No século XVII, os jovens britânicos das classes média e alta realizavam o grand tour, viagens educacionais, na companhia de um responsável ou tutor, que duravam meses ou anos. Sobre estas viagens, Rodrigues (2001, p. 15) comenta que “no século XVII as pessoas viajavam, compravam obras de arte e visitavam os monumentos da Antiguidade, como o Fórum, em Roma”.
            Nesse período, a Europa estava iniciando seu processo de industrialização, o que favoreceu o desenvolvimento das companhias de transportes e, consequentemente, das viagens de jovens de outras partes do mundo como dos Estados Unidos, por exemplo.
Diante deste cenário de desenvolvimento das companhias de transportes, em 1841, foi criada a primeira agência de viagens por Thomas Cook, que organizava pacotes coletivos, inicialmente pela Inglaterra. Em 1867, Cook formulou um cupom que garantia a hospedagem dos seus clientes conhecidos como cheques de viagem ou voucher. Por volta de 1874, estes cheques passaram a ser utilizados para facilitar as viagens, por ser aceito como pagamento em estabelecimentos de vários países.
            Até o século XIX, as viagens eram feitas pela aristocracia e pela burguesia porque dispunha de dinheiro e tempo para o lazer, enquanto a população de baixo poder aquisitivo tinham apenas os passeios pela cidade, a pé ou de bicicleta aos domingos como lazer. Em 1930, com a conquista das férias remuneradas e o desenvolvimento dos meios de transportes, a publicidade apostou na ideologia dos benefícios das viagens para o corpo e a mente. Neste sentido, Santana (2009, p. 30) esclarece que “os lugares escolhidos eram preferencialmente os do interior, estações de inverno, balneários e lugares tranquilos, muitas vezes recomendados como medida terapêutica”. As férias então se transformaram em oportunidade para o lazer das famílias. Para Dumazedier (1979, p.20) o lazer é:

um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se ou, ainda, para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora, após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais.

  No século XX, após a Segunda Guerra Mundial, o continente europeu encontrava-se impactado pelo turismo de massa. Os turistas planejavam suas viagens com roteiros pré-definidos, hotéis, restaurantes e contavam com o aparato de empresas.


            3 IMAGENS E COMUNICAÇÃO


A magia de uma cidade histórica como Salvador ou Ouro Preto, por exemplo, é evidenciada nos cartões postais e sites de viagens, pois são verdadeiros museus a céu aberto, onde moradores e paisagem compõem um acervo de forma dinâmica. Esses espaços físicos geralmente são lugares de memória, fato explorado pela publicidade,  que transforma um destino em produto.
            O produto é aquilo que será oferecido para o cliente, e pode ter variadas dimensões. A citar o produto Bahia, que é vendido como sol, praias e sua rica cultura. Para as empresas turísticas situadas na Bahia, o produto é o seu serviço individual, mas para o turista, o produto será o conjunto de todos os serviços, englobando o destino, transporte, restaurante, hotel, os passeios e tudo o que faz parte do pacote adquirido. Ruschmann (1991, p. 11), reflete sobre a intangibilidade dos produtos turísticos, dizendo que ”o resíduo, após o uso, é uma experiência vivencial”.
            Na realidade, o produto turístico engloba lazer, segurança, acessibilidade e todas as facilidades para que o destino ou equipamento seja usufruído, afinal, uma característica marcante do produto turístico é a necessidade do público ir até ele. Esse tipo de serviço requer técnicas mercadológicas específicas utilizadas no marketing.
            Para Kotler e Armstrong (1991, p. 5), o marketing é o “processo pelo qual indivíduos e grupos obtêm o que precisam e desejam através da troca de produtos e valores. O desafio para o profissional deste segmento, está, entre outros, na valorização das qualidades do produto, buscando remeter ao cliente o desejo de vivenciar algo.
A propaganda desenvolve mecanismos de atuar persuadindo o público, através de diversos meios de comunicação, como TV, rádio, jornal, revista, outdoor, folder, entre outros. As imagens são trabalhadas estratégicamente para serem associadas ao lugar perfeito ou “dos sonhos”. Inclusive são através delas que  identificamos locais.
A fotografia apresenta a existência de algo, do espaço e do tempo, que poderá aguçar ou não a curiosidade de quem a vê. O retrato “enfeitado” pode conter um cenário planejado com figurantes e técnicas digitais que realçam as cores, demonstrando uma imagem equivocada. Dessa forma, percebe-se que há tensões entre a realidade e o material divulgado, sendo assim, como saber se a imagem publicitária é original ou persuasiva?
Pires (2002, p. 60) reflete que “o turismo, atende a necessidade do cliente de viver algo diferente e prazeroso, pois o produto vendido é um sonho, uma ilusão [...]”. A compreensão da imagem, por fim, está sujeita a interpretação subjetiva do outro, de sua vivência, seus desejos e sua capacidade crítica.


                4 CONCLUSÃO


             Com o crescimento constante da atividade turística, outras modalidades de turismo foram sendo praticadas, a exemplo do turismo cultural. Assim, os museus passaram a fazer parte dos roteiros de viagens, sendo incluídos nos roteiros turísticos.
            Destinos e espaços culturais tornam-se produtos a serem comercializados e traçam estratégias para disputar com os demais serviços de lazer. Por essa condição, entende-se a aplicação dos instrumentos de marketing nessas instituições. O consumidor avalia através da propaganda que pode apresentar simplesmente descrições ou imagens do que será oferecido, ao contrário dos produtos tangíveis, que podem ser tocados e avaliados.
            A gestão da comunicação e imagem fazem-se necessárias para viabilizar e promover os equipamentos e ações relacionadas ao turismo, entretanto, é importante que o conteúdo a ser exibido esteja de acordo com a realidade.
           
             
REFERÊNCIAS


ARMSTRONG, Gary; KOTLER, Philip. Princípios de marketing. Rio de Janeiro: Prentice Hall, 1991.

DUMAZIDIER, J. Sociologia Empírica do Lazer. São Paulo, Perspectiva, 1979.
KOTLER, Philip. Marketing para organizações que não visam o lucro. São Paulo: Atlas, 1978.

PIRES, Mário Jorge. Raízes do Turismo no Brasil. São Paulo: Editora Manole, 2001.
______. Lazer e Turismo Cultural. 2 ed. São Paulo: Editora Manole, 2002.

RODRIGUES, Marly. Preservar e consumir: o patrimônio histórico e o turismo. In: FUNARI, Pedro; PINSKY, Jaime. (Org.) Turismo e Patrimônio cultural. São Paulo: Contexto, 2001.

SANTANA, Agustín. Antropologia do turismo: analogias, encontros e relações. São Paulo: Aleph, 2009.